DE VOLTA PARA CASA: Os dois brasileiros que conseguiram fugir e ser resgatados de uma rede de tráfico humano em Mianmar chegaram no final da tarde desta quarta-feira (19) ao Brasil, após mais de três meses mantidos reféns como operadores de uma “fábrica de golpes digitais” no país asiático. Os paulistas Luckas Viana dos Santos, 31, e Phelipe de Moura Ferreira, 26, desembarcaram no aeroporto de Guarulhos (SP). Eles eram aguardados por familiares e pela imprensa no local.
“Foram meses de muita angústia e depressão”, disse ao UOL Cleide Viana, mãe de Luckas. “Fiquei sem comer, sem dormir (...) porque eu sabia que lá ele não estava comendo, não estava dormindo, e isso é muito difícil pra uma mãe”.
Os brasileiros ficaram cerca de três meses reféns. Luckas e Phelipe se tornaram vítimas de tráfico humano em Mianmar entre outubro e novembro, após aceitarem supostas propostas promissoras de emprego na Tailândia. Eles ficaram presos em uma fábrica em Myawaddy, onde eram forçados a trabalhar mais de 15 horas por dia. Sob ameaças e tortura, eram forçados a aplicar golpes digitais em pessoas de outros países, junto a centenas de outros jovens estrangeiros vítimas do esquema.
Os brasileiros fugiram da “fábrica de golpes” no início do mês e foram encontrados no último dia 10 por um grupo paramilitar de Mianmar. Segundo familiares dos dois, eles conseguiram escapar do local onde eram mantidos reféns junto a um grupo de centenas de estrangeiros.
Luckas e Phelipe foram capturados e detidos por agentes do DKBA (Exército Democrático Karen Budista). O grupo armado, composto por rebeldes dissidentes das Forças Armadas de Mianmar, encaminharam os estrangeiros a um centro de detenção local após negociações com a Exodus Road. A organização civil confirmou a fuga dos brasileiros e de outras 368 pessoas de 21 países no dia 8 de fevereiro.
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