O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitou que o Supremo Tribunal Federal (STF) assuma a condução das investigações sobre suspeitas de superfaturamento em contratos da Prefeitura de Pouso Alegre, após o nome do deputado federal Rafael Simões (União) surgir em interceptações telefônicas na Operação ‘Segunda Demão’ e contratos da empresa Engetech.
O nome de Simões apareceu em investigações da Engetech e contratos da Via Faisqueira, executada pela Duro na Queda, com projetos da DAC Engenharia. Em interceptação telefônica da justiça, o MPMG flagrou uma conversa entre Simões e Augusto Hart, ex-secretário de obras e atual prefeito de São Sebastião da Bela Vista, investigado pelos promotores. O diálogo ocorreu em 23 de outubro de 2024, dois dias após a operação. Durante a conversa, Simões demonstrou preocupação.
O MPMG esclarece que Simões não é investigado, mas destaca que, “por outro lado, dada sua ‘preocupação’ e o período em que foi gestor municipal, suas condutas poderão se revelar ilícitas no futuro”. Rafael Simões foi prefeito de Pouso Alegre entre 2017 e 2022, período em que as empresas citadas iniciaram contratos com o município.
A operação também cita o deputado estadual Dr. Paulo Valdir (PRD), devido a depósitos da Engetech de R$ 32 mil ao seu ex-assessor, Fabrício Virgínio. A empresa financiou a compra de dois veículos em nome da mãe do ex-assessor, com um pagamento inicial de R$ 39 mil e o restante financiado. O MPMG investiga se os valores recebidos podem estar ligados aos contratos suspeitos.
Dr. Paulo exonerou seu assessor em dezembro de 2024. O MPMG destaca que, até o momento, não há indícios concretos que afirmem ou neguem o envolvimento do deputado.
As investigações analisam três contratos da Engetech com a Prefeitura de Pouso Alegre, suspeitos de superfaturamento e prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão. A empresa Duro na Queda recebeu mais de R$ 200 milhões entre 2017 e 2023. O orçamento da Via Faisqueira, inicialmente de R$ 19,6 milhões, já ultrapassou R$ 50 milhões e segue sem conclusão.
Em nota, Simões condenou o vazamento do documento do MPMG, afirmando que se trata de uma tentativa de manchar sua reputação. Hart declarou que sua citação se deve a uma conversa descontextualizada e que não há provas contra ele. Dr. Paulo Valdir negou qualquer envolvimento. Fabrício Virgínio ainda não se pronunciou sobre o caso.
Créditos (Imagem de capa): Redes Sociais
