Os golpes digitais evoluíram — e muito. Se antes bastava desconfiar de um e-mail mal escrito ou de uma promessa “boa demais para ser verdade”, hoje os criminosos atuam com organização, aparência profissional e, muitas vezes, usando dados reais das vítimas.
Em 2025, o cenário é ainda mais delicado: com redes sociais, inteligência artificial, vazamentos de dados e meios de pagamento instantâneos, os golpes se tornaram mais rápidos, sofisticados e difíceis de identificar à primeira vista.
Por isso, entender quais são os golpes digitais mais comuns atualmente é o primeiro passo para se proteger — e, principalmente, para agir rápido caso você já tenha sido vítima.
1. Golpe do falso advogado (e do falso processo)
Esse é um dos golpes que mais cresceram no último ano.
Funciona assim: o criminoso entra em contato com a vítima pelo WhatsApp ou Instagram, se passando por advogado ou por funcionário de escritório jurídico. Ele informa que existe um processo em andamento, um valor a receber ou uma pendência urgente — e, para “resolver”, pede um pagamento imediato.
O detalhe preocupante é que, muitas vezes, o golpista tem acesso a dados reais do processo, como nome das partes, número do processo e até valor da causa.
Como identificar:
- Pedido de pagamento urgente via PIX
- Contato por número desconhecido
- Pressão psicológica (“se não pagar hoje, perde o direito”)
- Recusa em atender por ligação ou vídeo
Advogados não cobram taxas judiciais por WhatsApp e não pedem PIX pessoal para liberar processo.
Além disso, vale destacar a ferramenta ConfirmADV, criada pela própria OAB, que permite verificar se um contato que se apresenta como advogado realmente possui inscrição ativa. Por meio da plataforma, qualquer pessoa pode consultar o nome, número da OAB e situação profissional do suposto advogado, o que ajuda a evitar golpes cada vez mais comuns, especialmente aqueles praticados via WhatsApp e redes sociais. Embora não resolva todos os problemas, a ferramenta é um passo importante para dar mais transparência e segurança nas relações entre advogados e cidadãos.2. Golpe do WhatsApp clonado ou invadido.
Aqui, o criminoso assume o controle da conta da vítima ou se passa por ela, entrando em contato com amigos, familiares ou clientes.
Normalmente, o pedido vem com frases como:
- “Troquei de número, pode me ajudar?”
- “Estou com um problema urgente, consegue fazer um PIX pra mim?”
- Em poucos minutos, várias pessoas podem cair no golpe.
Como identificar:
- Pedido de dinheiro fora do padrão
- Mudança repentina de tom
- Recusa em confirmar identidade por áudio ou chamada
Sempre confirme por outro meio antes de enviar qualquer valor.
3. Golpe do investimento milagroso (cripto, apostas e rendimentos irreais)
Promessas de retorno rápido continuam sendo uma armadilha clássica — agora com roupagem mais moderna.
Criminosos usam:
- Perfis falsos no Instagram
- Grupos no Telegram
- Vídeos manipulados com IA
- Prints de “ganhos” falsos
O discurso é sempre parecido: “funciona”, “é exclusivo”, “últimas vagas”.
Regra de ouro:
Se o investimento promete retorno alto, rápido e sem risco, é golpe.
4. Golpe da falsa central de banco
O criminoso liga ou envia mensagem dizendo que houve uma compra suspeita, bloqueio de conta ou tentativa de fraude.
A partir daí, induz a vítima a:
- Fornecer senhas
- Clicar em links falsos
- Transferir valores “para segurança”
O problema é que o contato costuma parecer legítimo, com nome do banco, logotipo e até dados reais do cliente.
Bancos não pedem senha, não pedem transferência preventiva e não resolvem problemas por link enviado.
5. Extorsão virtual e chantagem digital
Esse tipo de crime cresceu muito em 2024 e segue forte em 2025.
O criminoso ameaça:
- Divulgar imagens íntimas
- Expor conversas privadas
- Vazar dados pessoais
- Atacar reputação profissional
Tudo isso em troca de dinheiro.
O erro mais comum da vítima é ceder à primeira exigência, achando que o problema vai acabar. Na prática, o pagamento costuma gerar novas ameaças.
Extorsão é crime. Pagar não resolve. Agir juridicamente, sim.
Como se proteger de golpes digitais?
Algumas atitudes simples fazem muita diferença:
- Desconfie de urgência extrema
- Nunca clique em links sem verificar a origem
- Não envie dinheiro sem confirmação por outro canal
- Ative autenticação em dois fatores
- Evite expor dados pessoais nas redes
- Desconfie de promessas fáceis
E, principalmente: não enfrente isso sozinho.
Fui vítima de golpe digital. E agora?
Se você caiu ou suspeita que caiu em um golpe:
- Preserve todas as provas (prints, áudios, links, comprovantes)
- Não apague conversas
- Não continue negociando com o golpista
- Procure orientação jurídica o quanto antes
Quanto mais rápido você age, maiores são as chances de reduzir prejuízos, recuperar valores e identificar os responsáveis.
Sobre o autor
Scott Rocco Dezorzi
Advogado especialista em Direito Digital, Propriedade Intelectual e Proteção de Dados
Sócio-proprietário do escritório Rocco & Canonica – Advogados
OAB/SC 70.035; OAB/SP 519.520
Site: https://roccoadvocacia.com.br
Fonte/Créditos: Scott Rocco Dezorzi
Créditos (Imagem de capa): Scott Rocco Dezorzi
