O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu divergência nesta quarta-feira (10) ao votar pela anulação do processo que julga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Em seu voto, Fux sustentou que a Corte é incompetente para analisar o caso, uma vez que nenhum dos réus possui atualmente foro por prerrogativa de função. Veja o vídeo.
Segundo o magistrado, os atos investigados ocorreram entre 2020 e 2023, período em que a jurisprudência da Corte era clara quanto à cessação do foro especial após o fim do mandato. “Naquele período a jurisprudência era pacífica, consolidada, inteligível que uma vez cessado o cargo a prerrogativa de foro deixaria de existir. Nesse caso, os réus perderam seus cargos muito antes”, afirmou.
O entendimento contraria os votos do relator Alexandre de Moraes e do ministro Flávio Dino, proferidos na terça-feira (9), que defenderam a manutenção do processo na Primeira Turma. Ainda devem se manifestar os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Fux argumentou que manter o caso no STF viola o princípio do juiz natural e compromete a segurança jurídica. “Estamos diante de uma incompetência absoluta, que é impassível de ser desprezada como vício intrínseco ao processo”, declarou. O ministro também mencionou preocupações anteriores com a condução do caso, especialmente após a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Desde que Bolsonaro se tornou réu, Fux vinha demonstrando desconforto com aspectos jurídicos da investigação.
Créditos (Imagem de capa): TV Justiça